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Detecção precoce do Câncer de Mama

O câncer de mama consiste em uma enfermidade crônica, caracterizada pelo crescimento celular desordenado, o qual é resultante de alterações no código genético. Entre 5% a 10% destes tumores são resultados diretos da herança de genes relacionados ao câncer, mas grande parte envolve danos ao material genético, de origem física, química ou biológica, que se acumulam ao longo da vida2. Embora o estudo da doença tenha evoluído bastante, ainda não existem informações suficientes para compreender claramente sua etiologia e, assim, adotar as medidas específicas para reduzir a sua incidência: a prevenção primária. 

Esta doença representa a principal causa de morte por câncer nas mulheres brasileiras desde 1980, apresentando curva ascendente com tendência à estabilização nos últimos anos1. Em 2012, esperam-se, para o Brasil, 52.680 novos casos de câncer da mama, com um risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres3.

Embora a incidência de câncer de mama venha sofrendo um leve declínio em alguns países desenvolvidos em razão da saturação do sistema de rastreamento da doença vem aumentando gradualmente na maioria dos países em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento 5.

Para o controle do câncer de mama é fundamental a adoção de práticas de prevenção secundária, ou seja, ações de rastreamento para detecção precoce evitando a progressão do câncer para estágios mais avançados e aumentando a probabilidade de cura.

O rastreamento pode ser entendido como um conjunto de ações desenvolvidas com o objetivo de detectar precocemente uma doença em um grupo populacional assintomático. Para o câncer de mama podem ser utilizados diferentes métodos: o autoexame de mama (baixo custo, mas pouco eficaz), o exame clínico das mamas (eficiência e custo moderados) e a mamografia (eficiência elevada e custos de moderados a altos). 

A experiência de países desenvolvidos que organizou de forma adequada o rastreamento mamográfico tem mostrado que a redução na mortalidade por câncer de mama se situa entre 15 e 20%. Na Suécia, onde se observa uma das maiores taxas de cobertura de rastreamento mamográfico (75% da população-alvo), a redução da mortalidade por câncer de mama foi de 43%. Com certeza estes índices foram alcançados com o rastreamento, mas, sobretudo, com o seguimento que permitiu que todas as mulheres rastreadas fossem tratadas, se tivessem tido o câncer diagnosticado precocemente e de forma adequada4.

As recomendações do Ministério da Saúde para detecção precoce e diagnóstico desse câncer baseiam-se no Controle do Câncer de Mama: documento de consenso, de 2004, que considera, como principais estratégias de rastreamento, o exame clínico anual das mamas a partir dos 40 anos e um exame mamográfico a cada dois anos, para mulheres entre 50 e 69 anos. Para as mulheres de grupos populacionais considerados de risco elevado para câncer da mama (com história familiar de câncer da mama em parentes de primeiro grau antes dos 50 anos de idade; história familiar de câncer da mama bilateral ou de ovário em parentes de primeiro grau em qualquer idade; história familiar de câncer da mama masculina; ou mulheres com diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipia ou neoplasia lobular in situ), recomenda-se o exame clínico da mama e a mamografia anualmente, a partir de 35 anos3.

A Sociedade Brasileira de Mastologia, de acordo com a reunião nacional de consenso realizada em 2008, diverge da orientação dada pelo Ministério da Saúde, recomendando que o exame mamográfico seja anual a partir dos 40 anos. Cerca de 30% das pacientes com câncer de mama estão entre os 40 e 50 anos de idade. Nesta faixa etária há risco 3 vezes maiores de ter câncer de mama em relação aos 30 anos, além de uma maior prevalência de tumores com crescimento rápido. Incluindo o rastreamento anual neste período, há uma maior chance de detecção de lesões precoces e tratáveis. Além disso, existe o chamado ‘câncer de intervalo’, aquele em que no intervalo de um ano até a próxima mamografia a própria paciente percebe um tumor palpável. Estes tumores de crescimento rápido podem dobrar de tamanho de um ano para o outro. Se a periodicidade for a cada dois anos, haveria uma diminuição da detecção precoce. 

As recomendações da Sociedade Brasileira de Mastologia e também preconizada pelo Nosso Serviço são:

1. A mamografia deve ser realizada anualmente em mulheres assintomáticas a partir dos 40 anos;
2. A mamografia pode ser realizada anualmente em mulheres de alto risco após 35 anos; 
3. A mamografia pode ser realizada anualmente em mulheres com predisposição genética após os 25 anos;
4. Os benefícios do rastreamento mamográfico são superiores ao teórico risco da radiação;
5. Deveremos oferecer o rastreamento às mulheres idosas enquanto tiverem condição de se locomover aos centros de atenção a saúde e de receber tratamento.

A ultrassonografia deve ser utilizada como método complementar à mamografia em mulheres de alto risco e em mamas densas, de jovens e grávidas.

A ressonância magnética, no contexto do rastreamento, é somente indicada em associação ou em alternância com a mamografia, em pacientes de alto risco genético, sempre considerando o seu alto custo dentro da realidade brasileira.

A mamografia
A mamografia, até o presente momento, é o melhor método por imagem que dispomos para o diagnóstico precoce do câncer de mama, e inclusive aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration). 

É capaz de detectar lesão ainda muito pequena em que o tumor não é palpável, através de alterações que podem indicar malignidade como microcalcificações agrupadas, assimetrias, distorções da arquitetura mamária, e nódulos. Para tal, no entanto, é preciso alguns pré requisitos fundamentais como qualidade do exame e médico experiente para fazer a leitura do exame. 



É um exame que tem um discreto desconforto por conta da compressão necessária para uma melhor imagem radiológica. A grande maioria das pacientes a faz sem grandes reclamações. Muitas vezes, as que sentem dor é por conta da maior sensibilidade no período pré menstrual.

Mulher assintomática. A mamografia mostra assimetria focal, cuja investigação mostrou Câncer ductal invasor.
Diante dos benefícios deste método para a saúde da mulher, deve ser estimulado e alvo dos gestores de saúde para o controle do câncer de mama.

Se você tem mais de 40 anos e ainda não fez sua mamografia – procure seu médico! Cuide-se!!! Ter uma alimentação saudável, fazer atividades físicas regularmente e seus exames de rotina para prevenção de doenças crônicas e detecção precoce de doença avançada é um ato de auto amor.

Aline de Castro Viana é médica mastologista da Clínica CAM e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia com habilitação em mamografia pelo Colégio Brasileiro de Radiologia. E-mail: lineviana@uol.com.br

Bibliografia

1. Tratado de Mastologia da SBM/ Carlos Ricardos Chagas ET AL. Rio de Janeiro: Revinter, 2011

2. Cad. Saúde Pública vol.27 no.7 Rio de Janeiro July 2011; Fatores de risco e de proteção para câncer de mama: uma revisão sistemática. Lívia Emi Inumaru e col.

3. INCA: http://www.inca.gov.br/estimativa/2012/index.asp?ID=5

4. Ciênc. saúde coletiva vol.16 no.9 Rio de Janeiro Sept. 2011. O aumento de acesso à mamografia e os desafios para a política de controle do câncer de mama no Brasil ; Gulnar Azevedo e Silva

5. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.32 no.6 Rio de Janeiro June 2010. Câncer de mama: um futuro desafio para o sistema de saúde nos países em desenvolvimento; Daniel Guimarães Tiezzi

6. Sociedade Brasileira de Mastologia. 
Http://www.sbmastologia.com.br/cancer-de-mama/rastreamento-diagnostico-cancer-de-mama/o-que-a-mamografia-pode-ver-7.htm

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